12.9.10

Do fogo e seu controle.




Sobrevivi até este momento, momento em que analiso enquanto causo, o fogo.

A chama já acesa acessa o corpo combustível clamando pra si cada molécula e sua transformação. 

Em fagulhas pra depois cuspir em cinzas, abraça a certeza revelando suas facetas de artesã ilude.

Atuando em tudo, escapa de si, querendo ser uno-em-tudo, transforma-se em muitos e assim conhecemos as dádívas da transmutação básica primal, consuma o rancor no ardor das chamas pra como novo, surgir na aurora da vontade, quando a água já se torna branda, limpa e calma.

Agora já não há o espocar das fagulhas chicoteando a resistência vã da célula que quer-se manter igual, ressentida por ser levada ao seu ápice. 

Agora só há o silêncio e o que era fumaça já se foi o vento balança a ponta da seda que agora é fuligem e se carvão fosse, ainda poderia ser traço.

A solidão da certeza, somente a olhar ao redor e ver tudo o que ainda não foi chama e por isso acredita-se estar sendo o que aparentemente represente. 

Cada forma, cada sonho, cada inveja e cada tiro no prório convés, tudo falso, tudo breve, tudo espera - solenemente, o momento em que me encontro agora, em que tudo é cinza, em que tudo 'era'.

... E no final de tudo, quando tudo fora injusto, aparecerá um broto, mas no vento se fará revolto e na lama rasa de lágrimas, encontra um ponto pra que a raiz enfrente e da raiz se monte, novamente gente...

2 comentários:

no mundo da lu(a) disse...

Para ser todas, me desdobro em muitas,
Por ser tantas, já não me encontro em mim...
Adorei o texto poema!

B.G disse...

Obrigado, Lu, muito clara e precisa sua interpretação.