1.9.16

A derrota dos camarões sonolentos


Sentindo um aumento dos níveis de estima que nutria por existir, Adamastor resolve se afastar da natureza contente das coisas.

Toda hora via passsar por si uma imagem sombria, um gigante barulhento lhe cobria um raio de sol que venceu a refração. 

Tinha perdido algum tempo com a verdade de estar sendo levado por essas substâncias alteradoras dissolvidas no sal do mar, refletindo mesmo. Querendo saber se a cada mudança de corrente poderia sumir ele dali pra algum lugar mais... mais... mais!

Grandiloquente e espirituoso, usava sua cauda forte pra tentar olhar o mundo mais reto e entender o que seria a sombra que lhe tirava a luz do dia. Ousava pensar que seria um novo fim, a oportunidade de um salto pra além e fora da poça enorme que lhe envolvia a existência.

A-da-mas-tor, estava escrito debaixo do casco de um barco logo acima de onde se encontrava o crustáceo reflexivo.

Serei alvo do fantástico? Saberia um pobre camarão que poderia pôr sentido naqueles símbolos pintados? Sabe-se lá como, sabemos que foi assim. E de repente descobriu-se o despautério de ser um camarão, não somente propenso à filosofia, mas também capaz de decifrar símbolos alfabéticos humanos.

Agora me chamo o som que surge dessas letras, Adamastor. Pois que se de grandeza meus sonhos se forram, serei aquilo que impede de ver o raio de sol vitorioso. Sou grande como um barco que tampa a fragilidade do raio de sol.

Vagava tranquilo pelo mar quando o motor iniciou seu funcionamento ruidoso. Todo aquele pensamento, porém, permanecia inerte, pesado como um tijolo no estômago. Adamastor ensaiava repetir o barulho do barco, mas além de bolhas eventuais nenhum som saia. 

Permanecia também a vontade de ser barco, e tampar o sol, e fazer barulho e vagar por sobre o mar pra variar.

Naquele momento avista seu grupo adiante, logo pra onde o barco tinha se mexido.

Vê a rede cair, vê a rede subir, não sobrou ninguém. 

 - Foram para o barco, se tornaram Adamastor antes de mim! Logo eu que tudo vi antes, pensou.

- Adamastor sou eu! Eles nem ler sabem!

Saiu cabisbaixo, se tivesse ficado no grupo, feito parte e pertencido, ao invés de vagar pensando sem destino, poderia ter se tornado barco e não teria sobrado como um Adamastor Wannabe.

B.G



15.1.12

Olhos por ouvidos

Session with // Prudeeff:

Maquinas e luzes: Pierre Gordeef

Saxofones: Matthieu Prual

As maquinas criadas por Pierre Gordeeff criam conexões hibridas entre o mecânico e a organicidade. Rizomas de cabos enrolados em motores, microfones, brinquedos, escovas de dentes e de cabelo... tomando vida pelas mãos seu reciclador.
Quebrados ou danificados, muitos objetos perdem seu status de utilidade e se tornam lixo... ou encontram Pierre Gordeef para criar uma estranha dança de som e luz.
Os sons murmurantes se tornam oportunidade para o trabalho com o saxofonista Matthieu Prual e convidam à improvisação.

Traduzido por: bg

24.9.11

AgitasPêra



°°°° Clareio meu grito do lado de ca
°°° Por padecer de vida felina
°° Vento ligeiro do lado de la
°levantando a saia da retina

°°Em tudo o que lhe mostro ainda vê
°°°O nada desta essência que se crê




"Embala pra viagem é pro cachorro"*






*mentira

Decalque da raiz ao recalque da terra.

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O solo é preparado com a enxada entre as duas mãos

arranca-mato cada passada no capim é um estribilho refletido no estilhaço da roça superficialmente

Quer ensinar e não quer aprender, quer acertar sem ter que tentar, não quer falhar (mesmo quando falo que não sou eu ai estou, eu escrito, eu relato)

Cuidar que saem lacrais, insetos e víboras dos terrenos baldios (flor de lavanda espantando escorpiões)

Fodam-se até a impregnação, contaminado com o germe da contínua obturação do solo.

Tem mato que, convenhamos, há de se buscar o enxadão, arrancar fundo a daninha erva, retirar do solo o que é morte pra vida que se quer ver broto, trabalho pela erva que me eleva, o alecrim me perfuma mais que o lírio, o verde é superior ao branco da galáxia de que eu venho. Longe (suspiro profundamente).

Tem erva que não deixa as outras florarem, tem cipoal que sufoca planta,
E raiz que segura no talo pra sustentar uma soberana rosa.
Espinhos para os tecidos finos.

Compreendo, ainda compreendo, é só o que me resta, é só o que nos falta.

Dai vem o amor e tudo mais com a malta do bem, a pauta zen, direcionando pra mais e mais além.

Obviedades de uma olhada tendenciosa, quero a horta pra colher aquela flor e depois pode queimar.

Eu daqui falo de reservas naturais, reflorestamento, dai não há que se selecionar, senão é direcionismo, é purifiquismo largado na cultura, louvo os que pensam como não se deve pensar, pensando.


Tudo é passível de compreensão, se não entendo é porque não quero ou não consigo, dai não há o que atacar. Hombridade é serena força mantenedora, diruptiva por ser conservadora.

Depois carece continuar,
Agora carece passar

Mas ainda com o enxadão nas mãos, é preciso revirar a terra, arado solo sem torque de montaria, no muque da pessoa.

Aceitação, louvação, especulação, me pego no que posso saber, no mais deixemos espaço pra interpretação (trabalho conjunto entre o alvo e o olho do arqueiro).

Arada a terra é necessário adubar e o adubo é de acordo com o que se vai plantar, mas sempre que for esterco tem que espalhar ao sol pra secar e esperar secar.

Voltando àas imagens, o sonho se demora acordado pra bem das horas vindouras, pra além das cobras e pastoras, nas margens de um rio sem dentes, mastigo e devolvo sementes.

Escolher sementes é trabalho de quem entende de gente, todo tipo de gente, não so do tipo que eu quero selecionar.

Estufa, incubadora, palavra é o que não falta
Mas há uma palavra faltando, qual?

Não diga em voz alta de dia o que não quer ver na mente de noite. Anote pra lembrar. Conto pra prevenir, romance pra motivar, poema hoje serve pra enxugar...