21.2.08

Fingi na hora rir - Los Hermanos

Esse clipe é um dos primeiros do Los Hermanos e um dos mais controversos, uma letra à princípio totalmente desconexa com as imagens, estas que de tão toscas dão ao espectador menos acostumado com o viés de originalidade experimental da banda, a noção de que se trata de uma montagem de mal gosto. Enquanto que, por outro lado, vários alardeam a genialidade da simplicidade e a fina e quase imperceptível ironia implícita no clipe.










Hoje eu quis brincar de ter ciúme de você/Mas sem porque/meu coração me avisou que não/Fingi na hora rir/Talvez por aqui estar tão longe de você pra te dizer/Aquilo que eu temia aconteceu/ou foi só ilusão/Você manchou nós dois e desbotou a cor de um só coração/Ou anda sozinha, me esperando pra dizer coisas de amor/Pois eu, eu só penso em você/Já não sei mais porque/Em ti eu consigo encontrar/ Um caminho, um motivo, um lugar/Pra eu poder repousar meu amor/Quantas horas mais vão me bater até você chegar? Aqui meu lar deixou de ser aquilo que um dia eu construí/E eu fico sozinho, esperando pra trazer você para mim/Sofro por saber que não sou eu quem vai te convencer/Que cada dia a mais é um a menos pro encontro acontecer/E eu fico sozinho, esperando por você, meu bem-querer/Pois eu, eu só penso em você/Já não sei mais porque/Em ti eu consigo encontrar/Um caminho, um motivo, um lugar/Pra eu poder repousar meu amor.

A vontade de ser o ser que já não se é

por Tatiana Vilarinho Franco
A nostalgia compõe o ser humano em suas capacidades sentimentais. Transcender o racional possibilita a descoberta das vontades, as quais definem o ser e o torna livre, pois a liberdade é exercida na inconsciência. É na inconsciência que o ser afirma a sua existência, desprovido de qualquer mecanismo que dificulte a completa interação com as próprias vontades, ou seja, desprovido de julgamentos, próprios ou alheios.

No entanto, quando o ser não executa suas vontades, sente-se incompleto e busca, na própria memória, momentos que possam compensar esta falta, de forma nostálgica, aqueles sentimentos vividos, conseguindo amenizar a solidão e o abandono que existem no presente. Por isso, o ser humano necessita das próprias recordações como forma mais próxima de representação consciente das próprias vontades.

18.2.08

O "Novo Romance" e o adeus a um mestre da literatura objetiva.

PARIS, 18 Fev 2008 (AFP) - O escritor Alain Robbe-Grillet, considerado o "papa do nouveau roman", morreu nesta segunda-feira (18), aos 85 anos, informou a Academia Francesa de Letras.

Robbe-Grillet morreu no Centro Hospitalar Universitário de Caen (norte), onde foi internado durante o fim de semana devido a um problema cardíaco, explicou a direção do Instituto para a Memória da Edição Contemporânea (IMEC).


O escritor Alain Robbe-Grillet (1922-2008) era considerado o pioneiro do Novo Romance, estilo de narrativa surgido na década de 1950





Nascido em 18 de agosto de 1922, deixou um legado de dezenas de obras, entre elas "A retomada" e "Os últimos dias de Corinto".

Robbe-Grillet foi, nos anos 50 e 60, uma figura-chave no chamado Novo Romance, movimento literário marcado por um estilo de narrativa que mescla tempo e espaço. No cinema, essa técnica foi usada por Alan Resnais em "O ano passado em Marienbad" (1961).

Cineasta, Robbe-Grillet dirigiu entre 1962 e 1995 vários filmes, como "Trans-Europ-Express" (1966) e "O jogo com o fogo" (1975).

Apesar de eleito em 17 de março de 2005 membro da Academia Francesa, nunca ocupou a cadeira.

Em abril, Alain Robbe-Grillet faria palestra em Porto Alegre, no Brasil, a convite do projeto Fronteiras do Pensamento.

5.2.08

Sob a Ternura.

por Braulio Garcia.



A suavidade, a leveza, a sublime sensação do carinho em atitude, o afago, o chamego e aquele cafuné.

O café, a cadeira, a porta, o cuidado quando e de quem não se espera, a flor do olhar que nos dão sem agradecermos, a memória tardia de quem nos quer bem...

O sentir mais transparente, o amor fora o peso, a dor e seu alívio o desejo sem a posse.

Poder sorrir sem pressa e medo, poder medir palavras e pensamentos, poder ser sem ter que ser.

Um pensamento de beijos sonoros direcionados a pessoa que habita mais perto seu coração, não em espaço, nem em tempo, mas em profundidade e sintonia.

Poder ter medo, poder ser menino, mulher, criança, homem, jovem, velho e sábio e amar a todos estes com um olhar de quem já se entregou ao bem querer geral e irrestrito.

A ternura é um pouco disto, um pouco daquilo, um bocado do que não se diz e uma pitada do que aparece.

É o alvorecer de um coração voador, sonhador em seus planos sobre as montanhas da solidão, pousando na pista macia e suave com permissão para aterrizar.
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