18.6.09

Intimidade Marginal.

INTIMIDADE

Intimidade pode não definir-se como, mas baseia-se na afinidade de pensamentos prazeirosos e desconfortáveis de duas pessoas em relação – menos aos fatos e mais às idéias, comportamentos, gostos e demais.

A intimidade é construída entre as pessoas de uma maneira natural e gradativa, como quase tudo na relação entre seres humanos. Ainda no âmbito do ‘como tudo o que ocorre conosco’ temos que esta intimidade não é possível de ser construída a partir de fórmulas e ritos e ouso crer que não é sempre possível existir intimidade. Algumas vezes é impossível porque alguma das pessoas simplesmente não quer.

Eu consigo impor o controle, o medo, a dependência emocional mas não consigo impor a intimidade. Um individuo – por princípio, não basta para criar nenhum tipo de relacionamento. Sempre serão preciso dois agentes. Agindo.

CUMPLICIDADE

Essa exige mais alguns ‘cents’ de atenção, visto que estamos falando de vínculos profundos e muito belos. A cumplicidade é algo que envolve fatos, principalmente os cotidianos. Somos cúmplices em nossas vontades de ter vontade e em nossos desânimos de ter desânimo, somos cúmplices em relação às horas, aos hábitos, aos defeitos e qualidades inconfessos.

Pessoas se tornam cúmplices quando aceitam lutar juntos por algo, uma felicidade incomum, uma crença em sonhos numa vida sem exagero e sem escassez, por um protesto contra os ruídos desnecessários.

Pessoas que têm capacidade de se acumpliciar são as mesmas que têm capacidade para pensar no amor de uma forma ampla e irrestrita, são aqueles mesmos que vêem no sonho, um amigo e crêem que viver é mais que cumprir fases de um processo.


MARGINAL

Gosto da palavra cumplicidade pois estes são tempos em que o querer bem é marginal e o amor é procurado por crimes contra a humanidade. Desta forma, neste contexto é necessário que cada vez mais busquemos nos relacionar com mais ternura, respeitar o amar para se obter o merecimento da intimidade e cultivá-la para que ela se floresça em cumplicidade e pleno amor.


ACASO E ARBÍTRIO

Esse enigmático jogral de sentimentos se remete aos amores da vida. Em cada fase da vida nos relacionamos intima e proximamente com diferentes tipos de pessoas e isso desdobra em diferentes tipos de relacionamentos.

Podemos ter tido estas cumplicidade e intimidade com nossos pais, irmãos, primos, amigos da infância, mas sempre as vi como uma espécie de preparatório para o exercício das mesmas na vida conjugal amorosa.

O vínculo que se busca verdadeiro, por ser o escolhido.

Um comentário:

Tatiana disse...

Belissimo post! Mais uma vez me sinto emocionada com a sensibilidade e coerência de suas palavras ternas, pensamentos soltos e cavalheirismo poético.

Somente um cavaleiro poeta poderia se apropriar assim tão plenamente!

bjos